Ano Novo  de novo

Vilma Duarte

 

 

 

Não me lembro de cerrar a porta para o ano velho em tamanha lua-de-mel nacional.

A brasilidade esverdeia expectativas, de norte a sul  do país.

Já era tempo.

Se Deus não é brasileiro, fez  mais um aniversário de cidadania  no  nosso Natal.

Que  Ele nos conserve a auto-estima em alta.

A mídia anda meio jururu  no otimismo, acostumada a rezar profana as contas de históricos  desacertos.

Ressurreição de esperança, é  bom começo para segurar  castelos sonhados em todo ano que chega.

Mudança de mentalidade também.

Quem sabe a gente começa pensando que Natal é todo dia.

Lembrando a história do Beija-Flor  contada por Betinho em 1994, quando mobilizou o país para a primeira campanha nacional de Natal-Sem-Fome.

A iniciativa iluminada cresceu, em todos esses anos, mas a fome mais esperta, passou na frente gulosa.

Que em 2006 tenhamos a coragem de assumir nossos desafios  e complacência para ajudar  a terra amada a cuidar dos seus doentes, ensinar aos analfabetos,  alojar irmãos em condições desumanas, enfim reconstruir  ideais.

Amanhã, 2006, pode ser uma festa e tanto depois dos brindes espumantes em casa, nos clubes, nas praias ou extasiando-se com lágrimas coloridas no céu de reveillon.

Vamos brindar os sucessos do ano que dá adeus,  repetir  o indefectível “tudo de bom” no abraço emocionado e maquiar  outras promessas

Ano muda, e a gente?

Com vontade e otimismo dá pra fazer uns retoques.

Virada de calendário... reprise imperdível  dessa peça do viver

Viver  mais um  Ano-Novo,  milagre de agradecer com ações.

E tal graça bem merece um plano pra ser mais feliz...

Enterrar   ranços de  ano velho antes do outro raiar.

Encher o peito de amor e repartir com fartura.

Trazer o sorriso de volta com a fé em dias melhores.

Sofrer menos com  padrões de conceitos doutrinados.

Cometer  uns pecadinhos, do não pode castrador.

Levar os  dias nos ombros como se fossem presentes.

Cantar os tons da vida e compor lindo poema.

Acreditar no amanhã  com a fé  de acertar.

Feliz Ano Novo de novo, gente do meu coração.

                       Que os sinos de Belém

                              Badalem sons poesia

                                      E com notas de alegria

                                                O povo diga Amém.

 

 

 

 

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